28 de agosto de 2009

A Duquesa (Atenção: contém pequenos spoilers)

― Juro que nunca consegui entender porque as roupas das mulheres têm que ser tão complicadas.

― É só nossa maneira de nos expressar, creio. Os homens têm tantas maneiras de se expressar, enquanto nós, mulheres, temos que nos satisfazer com nossos chapéus e nossos vestidos.

Assisti ontem A Duquesa com Keira Knightley e Ralph Fiennes. É a história real de Georgiana Spencer (1757 – 1806), casada em seu aniversário de 17 anos com William Cavendish, 5o. Duque de Devonshire. Ela era uma pessoa extrovertida, liberal, opinativa e apaixonada, numa época em que as mulheres nao tinham direito a opiniao e só eram valorizadas por sua capacidade de procriacao. O próprio duque só dirigia a palavra à Georgiana para passar instrucoes e, ocasionalmente, insultá-la por sua aparente incapacidade de gerar filhos (do sexo masculino).

De qualquer forma, Georgiana se tornou muito famosa e admirada por todos. Uma das personagens do filme diz: “o duque de Devonshire deve ser o único homem em toda a Inglaterra que nao está apaixonado por sua mulher”. Como uma verdadeira celebridade, seu estilo de roupas era observado e copiado pelas mulheres da época, seus discursos eram comentados, ela era alvo de fofoca e especulacoes pelo povo e pela mídia e ela usava a atencao que trazia para influenciar a populacao com campanhas políticas (lembrando que, naquela época, as mulheres sequer podiam votar).

Cheguei a uma conclusão brilhante, na minha humilde opinião, após ver esse filme: o feminismo pode ter ajudado em uma coisinha ou outra, mas nunca vou perdoá-lo por nos privar de usar esses vestidos super legaiiis, ao possibilitar outras formas de expressão para as mulheres. Usar roupas práticas para trabalhar? Pfft! >.< É culpa do feminismo e da Coco Chanel. Revolta! Quero usar roupas do século XVIII!

P.s. Além de ser famosa pela beleza, estilo, engajamento político, paixão por jogos de azar e um casamento infeliz, a Georgiana é tatata…ravó da Lady Di. O que não teve relevância nenhuma na vida dela, já que a Diana só nasceu 155 anos depois de sua morte.