10 de janeiro de 2009

Aprendendo alemão com…Jane Austen

A maioria dos brasileiros fluentes em alemão recomenda começar a ler livros para aprimorar o idioma pela sessão infantil.

A lógica é simples: o vocabulário das crianças é limitado e as frases dos livros são curtas e de fácil compreensão.

O contraponto: por mais interessante que seja descobrir o que o porquinho Piggeldy e seu irmao Frederick estão aprontando dessa vez, a curiosidade não me leva ao extremo de querer tentar desbravar o vocabulário germânico. Livros infantis me entediam.

[yellow_box]A escolha não tão convencional:
Jane Austen. Sim, a escritora britânica do século XVIII é a minha mais nova professora de alemão. Você se pergunta como podem ajudar livros ingleses, com um vocabulário tao complexo e antigo que mesmo nativos no idioma muitas vezes tem dificuldade para compreender? Pode não fazer sentido para uma amostra da população pensante, mas faz absoluto sentido para mim.[/yellow_box]

Uma mania recorrente: Desde que fui apresentada por uma amiga ao livro, ao filme e à série da BBC Orgulho e Preconceito, Jane Austen se tornou uma das minhas escritoras favoritas de todos os tempos. Na verdade, a maior parte dos outros livros que eu antes amara coraram de vergonha ante a comparação.

Quando falam que um escritor é genial, eu espero narrativas com grandes reviravoltas, revelações chocantes, uma linha temporal confusa e uma consequente dor de cabeça após tantas reflexões filosóficas subconscientemente induzidas. A Jane não é assim. Dela esperamos um final moderadamente feliz para todas as partes e um pouquinho de realidade.

Consegue imaginar um livro extremamente realista, sem recorrer à violência, ao choque, ao tragicalismo ou ao drama? Nos livros da Jane, nos sentimos realmente espionando as vidas de pessoas da época dela. E, não só isso, ela ri-se de sua própria sociedade, com comentários sarcásticos geniais, xD Ela é uma mestra da ironia. Jane Austen é o House do século XVIII! (Embora o House teria provavelmente recorrido à violência e ao choque, só porque pode ;) rsrs)

O incentivo: minha cunhada e o marido dela me deram de aniversário um box com os seis romances da escritora (vide figura abaixo), os quais eu já queria ter e ler há muito tempo! Qual nao foi minha alegria em vê-los, abraca-los e tê-los só para miiiim!

A pegadinha: são em alemão.

O método: Vou comecar com Stolz und Vorurteil (Orgulho e Preconceito), que já sei até recitar de trás para frente no idioma original. Assim, me acostumo com o vocabulário traduzindo e/ou associando mentalmente com o que já conheço da história.

Depois passo para Emma, que ainda tenho fresco na memória por uma leitura recente. É só lembrar da adaptação maluca para o cinema, Patricinhas de Beverly Hills, e situá-lo na Inglaterra no século XIX.

Depois desses dois livros (400-600 páginas cada), creio que estarei totalmente habilitada para prosseguir com os que conheco só por filme (Razão e Sensibilidade), mencoes (Persuasão) e os que nao conheço de forma alguma (Mansfield Park, A Abadia de Northanger Abbey).

Jane Austen, queridinha de Hollywood: Em 2007, foi lancado um filme pseudo-biográfico com Anne Hathaway. No mesmo ano, foi lançado O Clube de Leitura de Jane Austen, cujo nome já diz bastante (legal para quem quer se interessar pelos livros, rs). Em 2008, outro filme biográfico (para TV) que fez um razoável sucesso nos EUA.

As adaptaçõees dos livros para a telinha e telona sao incontáveis (ou são até contáveis, mas eu estou com preguiça de escreve-las ;)). É só dar uma olhadinha no IMDB para ter uma ideia.

Conclusão: Outros livros podem ser bem menos desafiantes, mas só Jane Austen me intriga ao ponto de me fazer ler em um idioma tão tortuoso como o alemão, rs.

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