3 de dezembro de 2014

Dia 18 #30diasdegratidão

Dia 18: as reuniões do nosso “pequeno grupo”.

Ao contrário do que muita gente pensa, igreja, segundo a Bíblia, não é um prédio onde são realizadas reuniões semanais.

Quando uma pessoa se torna cristã de verdade, essa se torna sua nova identidade.

Igreja na Bíblia é um povo, uma cidadania. É uma nação, um reino, onde não há mais grego, nem judeu, nem brasileiro, nem alemão, nem americano, nem afegão, não há mais escravo, nem livre, nem pobre, nem rico, nem designer, nem jogador de futebol, nem lixeiro–é uma nação de igualdade, amor, relacionamentos verdadeiros e bondade, porque todos são filhos do Rei.

Mas infelizmente muita gente que se diz cristã acha que a igreja é uma espécie de auditório, com uma programação bacana para gente se sentir bem.

Nós cantamos músicas bonitas, ouvimos uma mensagem encorajadora e voltamos para casa prontos para enfrentar a semana. De fato, nós nos reunimos aos domingos num prédio, porque somos tantos que uma casa ficaria muito apertada. Também temos uma parte musical bem legal, porque queremos fazer o melhor para Deus, investindo todo o nosso talento, força e paixão em coisas que mostrem o quanto ele é grande e maravilhoso e como ele fez e faz milagres nas nossas vidas.

Mas isso não é igreja. É um momento de reunião.

A igreja de verdade se manifesta no relacionamento pessoal, genuíno e profundo. É o que a Bíblia chama de “corpo de Cristo”, um “corpo com muitos membros”, onde cada pessoa é um membro, uma parte especial, insubstituível, necessária, única. Cada um com seu jeito, com seus talentos, com sua personalidade, com sua cultura, com seu temperamento–todos parte de uma mesma família, de uma mesma nação, não importa onde, como ou por que nasceu.

Infelizmente muita gente que frequenta as reuniões de domingo da igreja (ou, pior ainda, que nem frequenta, mas se acha igreja), ainda não descobriu que igreja é identidade. Não dá para ser igreja passivamente. Não dá para ser igreja sozinho. Igreja é um povo, uma nacionalidade, um reino, onde a marca principal, que diferencia de qualquer outro, é o amor. E amor só acontece onde há relacionamentos pessoais, genuínos e profundos.

Só que não existe relacionamento pessoal, genuíno e profundo numa conversa de cinco minutos depois da reunião.

“Oi, tudo bem?! Tudo bem e você! Meu, bom te ver! É mesmo! Tchau, Deus abençoe!”

E como a gente vive numa sociedade onde é muito fácil se envolver em meros relacionamentos superficiais e fingir que são verdadeiros (“Oi, me add no Face! Beleza, agora somos amigos!”), tentamos contornar isso com os chamados “pequenos grupos”. Como o nome diz, formamos grupos pequenos (numa média de 10 pessoas) que se encontram semanalmente na casa de alguém do grupo como oportunidade para comer juntos, conversar, se conhecer melhor, orar, ser aberto, sincero, receber ajuda, desabafar, compartilhar o que for, chorar e se alegrar juntos etc. etc. etc.

E eu fico muito grata por fazer parte disso, porque eu, por exemplo, jamais teria coragem ou oportunidade de chegar na maior parte dessas pessoas e “criar” uma amizade. Afinal, são pessoas tão diferentes de mim–mas lá não importa se somos brasileiros, alemães, russos, gregos ou judeus. Ricos ou pobres. Esteticista ou estudante de teologia. Ninguém que é igreja está sozinho nesse mundo. :D

  • Ligia

    Amei sua definição de igreja e concordo plenamente, mas não saberia como pô-la em palavras como você o fêz., Parabéns!