13 de fevereiro de 2013

Eu meço cada lamento – Emily Dickinson

Com tradução amadora abaixo.

I measure every grief I meet
With analytic eyes;
I wonder if it weighs like mine,
Or has an easier size.

I wonder if they bore it long,
Or did it just begin?
I could not tell the date of mine,
It feels so old a pain.

I wonder if it hurts to live,
And if they have to try,
And whether, could they choose between,
They would not rather die.

I wonder if when years have piled—
Some thousands—on the cause
Of early hurt, if such a lapse
Could give them any pause;

Or would they go on aching still
Through centuries above,
Enlightened to a larger pain
By contrast with the love.

The grieved are many, I am told;
The reason deeper lies,—
Death is but one and comes but once
And only nails the eyes.

There’s grief of want, and grief of cold,—
A sort they call ‘despair,’
There’s banishment from native eyes,
In sight of native air.

And though I may not guess the kind
Correctly yet to me
A piercing comfort it affords
In passing Calvary,

To note the fashions of the cross
Of those that stand alone
Still fascinated to presume
That some are like my own.

Eu meço cada lamento que encontro
Com olhos analíticos;
Pondero se esse pesa como o meu,
Ou se tem um tamanho menos difícil.

Pondero se o carregam há muito tempo,
Ou se acabou de começar?
Eu não poderia dizer a data do meu,
Parece uma dor antiga demais para contar.

Pondero se machuca viver,
E se eles têm que se esforçar,
Ou se, pudessem eles escolher,
Não prefeririam morrer.

Pondero se quando os anos se acumularam-
Alguns milhares-no caso
de mágoa prematura, se esse lapso
pôde dar-lhes descanso

Ou se eles prosseguiram ainda doendo
Através dos séculos,
Atentos a uma dor maior
Em contraste com o amor.

Os lamentos são muitos, me dizem;
A razão é mais profunda,-
A morte é só uma e só uma vez vem
E só os olhos perfura.

Existe o lamento da necessidade e o lamento do frio,-
Um tipo que eles chamam de ‘desespero,’
Existe exílio dos olhos nativos,
À vista de ar nativo.

E embora eu não possa adivinhar o tipo
Exato ainda para mim
Oferece um consolo penetrante
No Calvário passageiro,

Perceber os estilos das cruzes
Daqueles que permanecem sozinhos
Ainda fascinados em presumir
Que algumas delas são exatamente como a minha.

  • Lindíssimo esse poema. Li pouca coisa da Emily Dickson, e já faz algum tempo. Mas amei essa tradução (as suas traduções são ótimas; eu tenho “Folhas da relva” anotada no caderno).

    “Pondero se o carregam há muito tempo,
    Ou se acabou de começar?
    Eu não poderia dizer a data do meu,
    Parece uma dor antiga demais para contar”

    Lembrei de um livro que li a pouco tempo, O atlas do amor, da Laurie Frankel (que se tornou um dos meus favoritos), de um trecho perto do final em que a personagem narradora diz que inveja as pessoas na rua que parecem tão felizes e o amigo responde que elas também já sofreram um dia, mas se recuperaram.

    E o poema todo me trouxe uns flash-backs de Norte & Sul…

    Beijijnhos e até mais.
    P.S.: Ainda falta comentar em um bocadinho bom de posts. Acho que até o final da semana … (volto às aulas depois do feriado e coisas para fazer magicamente aparecem).
    P.S.2: Acho que vou copiar esse também.

    • Ah, escrevi uma resposta enorme e apagou :( Enfim, resumindo, obrigada pelo elogio em relação a tradução. É um desafio tão grande, parece que poema tem tanta ambiguidade e possibilidades de interpretação. Mas, persisto, mesmo sem saber muito bem, pelo bem de quem entende esse inglês ainda menos do que eu. Infelizmente, parece que não há muitos sites em português dedicados para minhas poetisas favoritas. E vou dar uma olhadinha no livro que você falou :) Um abração! Ah, sim, e não lembro se eu que traduzi Folhas de Relva ou não. Faz tanto tempo!