15 de agosto de 2018

12 mitos sobre o aborto + 1 Mito Bônus

“A capacidade de compreensão da grande massa é muito limitada. Por isso toda propaganda efetiva precisa se limitar a poucos pontos que sejam repetidos como pequenos slogans, tantas vezes, até que o último entre eles seja capaz de aceitar o resultado desejado através desses slogans” — Adolf Hitler, Mein Kampf

Em luz do debate acontecendo agora no STF para a legalização do aborto, fiz esse texto porque há muitos slogans e mitos sendo espalhados por aí que não têm o menor embasamento na realidade. Acho que é necessário falar a verdade para quem está realmente em busca da verdade. Vocês têm todo o direito de discutir filosoficamente sobre direitos e deveres, se o direito do feto se sobrepõe ao da mãe e a partir de quando e até quando uma mãe pode matar seu filho etc. Essa discussão, no entanto, precisa se basear em fatos e não em mentiras. 

Acrescentei um bônus no final, porque tem sido bastante citado também ultimamente.

Aqui uma série de 12 dos principais mitos sendo espalhados por aí a respeito do aborto:

Mito 1:Legalizar o aborto diminui a quantidade de abortos

Fato 1:  A manchete que figurou em centenas de jornais ao redor do mundo e que tem sido utilizada como argumentação pelo movimento pró-aborto se baseia numa pesquisa feita pelo Instituto Guttmacher, uma organização americana “de pesquisa e política comprometida em avançar a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos nos EUA e globalmente” (descrição do próprio instituto). A pesquisa realizada, no entanto, EM NENHUM MOMENTO diz que a legalização do aborto reduz seus números. O que a pesquisa alega é que em países onde há mais acesso a MÉTODOS CONTRACEPTIVOS, ali há uma redução do número de abortos. Os jornais estão literalmente mentindo por motivos ideológicos.  

O fato é que legalizar o aborto aumenta assustadoramente o número de abortos. Veja os dados estatísticos sobre a evolução do número de abortos nos EUA após Roe versus Wade (caso notório que alavancou a legalização em todo o território nacional), por exemplo, as taxas de aborto por gravidez cresceram em 166% em menos de dez anos. Só a partir de 2014, QUARENTA E UM ANOS depois da legalização, a taxa de abortos diminuiu, pelo já mencionado maior acesso à métodos contraceptivos. 

 

Mito 2: “Falta de ondas cerebrais equivale à morte cerebral. O feto, portanto, está morto antes de ter ondas cerebrais, por isso podemos abortá-lo”.

Fato 2: Olhe a definição de qualquer dicionário à respeito de morte e verá que significa a “interrupção DEFINITIVA da vida de um organismo”, “o FIM da vida”. Ou seja, MORTE trata de IRREVERSIBILIDADE. Um quadro de onde não se pode retornar.

No caso do feto, não estamos falando do FIM e sim do nascimento. Não é de encerramento, mas de desenvolvimento. 

POR EXEMPLO, digamos que você está totalmente inconsciente, sem ondas cerebrais. Mas, digamos que, hipoteticamente, caso nada seja feito, fosse possível e até mesmo comum que você retornasse à vida. Se eu ATIVAMENTE interrompesse seu retorno, seja através de uma injeção, pílula, desmembramento, isso se chamaria ASSASSINATO.

Aliás, se o feto está morto, por que é necessário fazer algo ativamente para impedir seu desenvolvimento? Se ele estivesse morto, seria seu fim, ele se desintegraria.

CIENTIFICAMENTE, não há qualquer dúvida de que um feto já é um ser humano vivo. Ele não se transforma duma espécie em outra. E interromper o desenvolvimento de qualquer ser biologicamente vivo se chama matar. No caso, aborto é matar um ser humano.

 

Mito 3: “Matar um feto é mesma coisa que matar um espermatozóide ou óvulo humano!” 

Fato 3: A doutora em embriologia humana, Dianne N. Irving, publicou um artigo chamado “Quando seres humanos começam? Mitos “científicos” e fatos científicos”. Ela diz: 

“A questão de quando a dimensão material física de um ser humano começa é uma questão estritamente científica e, fundamentalmente, deveria ser respondida por embriologistas humanos e não por filósofos, teólogos, políticos, técnicos de raio-x, estrelas de cinema, obstetras e ginecologistas. … [Esse artigo] irá esclarecer qual é o consenso internacional atual dos embriologistas humanos com relação à essa relativamente simples questão científica.” 

Após uma longa sessão informativa, no qual a doutora explica o processo de fertilização e sua diferenciação em relação a gametogênese, ovogênese etc., definições científicas de ser humano, ela resume:

”Em suma, um espermatozóide humano maduro e um óvulo humano maduro são produtos da gametogênese — cada um só tem 23 cromossomos. Cada um só tem metade do número exigido de cromossomos para um ser humano. Eles não podem se desenvolver sozinhos e se transformarem num ser humano. Eles só produzem proteínas e enzimas de “gametas”. Eles não gerenciam seu próprio crescimento e desenvolvimento. E eles não são indivíduos, isto é, membros da espécie humana. Eles são apenas partes — cada um parte de um ser humano. Por outro lado, um ser humano é o produto imediato da fertilização. E como esse produto, ele é um zigoto embrionário de uma célula só, um organismo com 46 cromossomos, o número exigido de um membro da espécie humana. Esse ser humano imediatamente produz especificamente proteínas e enzimas humanas, gerencia seu próprio crescimento e desenvolvimento como um humano [pesquisas, de fato, PROVAM que o feto gerencia o próprio desenvolvimento e não a mãe], e é um novo, geneticamente único, recém-gerado e vivo INDiVÍDUO HUMANO.”

“…Existe, portanto, uma diferença radical, cientificamente, entre partes de um ser humano que só possuem “vida humana” e um embrião humano ou feto humano que é de fato um “ser humano”. Aborto é a destruição de um ser humano. Destruir um espermatozoide humano ou um ovócito humano não constituiriam aborto, já que nenhum dos dois é um ser humano. O problema não é quando a vida humana começa, mas quando a vida de um ser humano começa. Um rim ou um fígado humano, uma célula epitelial humana, um espermatozóide ou um ovócito possuem vida humana, mas não são seres humanos — apenas partes de um ser humano. Se um único espermatozoide ou um único ovócito fossem implantados no útero de uma mulher, eles não cresceriam; eles apenas se desintegrariam.”

 

Mito 4: “Até as 12 semanas, um feto é só um bando de células!”

Fato 4: Nesse sentido, eu e você também somos um bando de células. A questão é: esse bando de células é um ser humano ou é um pedaço da mãe?
Citando Irving novamente, “como demonstrado, o organismo embrionário humano formado na fertilização é um ser humano completo e, portanto, não é só um “bando de células”. Esse novo indivíduo também tem uma mistura dos cromossomos da mãe e do pai e, portanto, não é só um “pedaço de tecido da mãe”. 

De fato, fora do útero da mãe, um zigoto (ser humano de uma célula) continua se desenvolvendo sozinho. Ele só necessita do útero a partir do período de implantação, como embrião, apenas para receber os nutrientes necessários para continuar o desenvolvimento. Se privado desses nutrientes, ele morre “de fome”, assim como um bebê que não receber a nutrição apropriada, também morre. Ou seja, o corpo da mãe sequer controla o crescimento ou desenvolvimento do embrião. Não faz parte do corpo dela.

 

Mito 5: “O feto é só um ser humano potencial ou possível — não um ser humano de verdade”. 

Fato 5:

“Como demonstrado acima, cientificamente não há absolutamente dúvida alguma que o produto imediato da fertilização é um ser humano recém-gerado. Um zigoto humano é um ser humano. Não é um ser humano “potencial” ou “possível”. É um ser humano de verdade — com o potencial de ficar maior e desenvolver cada vez mais capacidades.” (Dianne N. Irving, doutora em embriologia humana)

Sabe que outro ser tem o potencial de ficar maior e desenvolver mais capacidades?

Um bebê. Uma criança. Um adolescente. Qualquer ser humano que ainda não tenha atingido seu pleno desenvolvimento. 

 

Mito 6: “Um zigoto (ou embrião ou feto) não são seres humanos, porque não parecem seres humanos.”

Fato 6:

“Como todos os embriologistas humanos sabem, um zigoto humano de uma só célula, ou um embrião humano mais desenvolvido ou um feto humano é um ser humano — e e essa é a aparência deles nesses períodos de desenvolvimento.” (Dianne N. Irving, doutora em embriologia humana)

 

Mito 7: “Um feto pode ser morto porque não está consciente / plenamente desenvolvido / é dependente / não sente dor / não é uma pessoa”

Fato 7: Qualquer um desses mitos é facilmente derrubado. Posso matar pessoas que estão inconscientes? Posso matar crianças porque não estão plenamente desenvolvidas? Posso matar deficientes porque são dependentes? Posso matar pessoas sob anestesia?

Citando Keith L. Moore, professor emérito em anatomia da Universidade Toronto:

“Embora seja costumeiro dividir desenvolvimento humano em pré-natal (antes do nascimento) e pós-natal (após o nascimento), o nascimento é meramente um evento dramático que apenas ocasiona uma MUDANÇA de AMBIENTE. O DESENVOLVIMENTO NÃO PARA NO NASCIMENTO. Mudanças importantes, além de crescimento, ocorrem apenas após o nascimento (por exemplo: desenvolvimento dos dentes, seios nas mulheres). O cérebro triplica o peso entre nascimento e 16 anos de idade. A maior parte das mudanças de desenvolvimento se encerra na idade de 25 anos”. 

O último “não é uma pessoa” é uma questão filósica, uma com a qual temos que ter bastante cuidado. 

Irving escreve:

“Devemos considerar as consequências lógicas — e muito reais — se uma “pessoa” for definida em termos de “atributos racionais” ou “senciência”. O que isso significa para a seguinte lista de pessoas com “atributos racionais” limitadas: por exemplo, doentes mentais, pacientes idosos deprimidos com Alzheimer e Parkinson, viciados em drogas, alcoólatras, pessoas em coma, paraplégicos e pacientes paralisados ou deficientes, diabéticos ou com danos cerebrais e de nervos? Eles seriam considerados seres humanos, mas não pessoas? Eles não têm os mesmos direitos éticos e legais e proteções como seres humanos adultos que são considerados pessoas? Existe uma “divisão” entre ser humano e ser uma pessoa humana? Alguns escritores de bioética defendem isso. Por exemplo o filósofo Peter Singer, colocado como Diretor do Centro de Valores Humanos da Universidade de Princeton. Ele defende que cachorros, porcos, macacos são pessoas, mas que alguns seres humanos, como crianças e adultos deficientes não são”. 

 

Mito 8: “Devemos legalizar porque as pessoas vão abortar, seja legalizado ou não.”

Fato 8: Se o critério para LEGALIZAR algo for o fato de que as pessoas vão fazer de qualquer maneira, devemos legalizar urgentemente assassinatos, estupros, assaltos, corrupção etc. 

 

Mito 9: “Devemos legalizar porque rico já faz e sai impune. Quem sofre são os pobres”.

Fato 9: Se o critério para LEGALIZAR algo for o fato de que ricos frequentemente conseguem sair ‘ilesos’ das consequências, devemos legalizar urgentemente assassinatos, estupros, assaltos, corrupção etc. 

 

Mito 10: “Devemos legalizar porque uma mulher não deve ser presa por abortar.”

Fato 10: Segundo a revista Exame, em 2014, de um total de um milhão de abortos, 33 mulheres foram presas por abortar (nos casos citados, foram liberadas após 3 dias de cárcere). (Atenção para a proporção: 33 a cada 1.000.000)

Todos esses casos foram por denúncia médica, o que segundo o Código de Ética da Medicina é proibido, porque quebraria o sigilo médico exigido. Ou seja, elas não deveriam ter sido presas. 

De qualquer forma, não se trata disso quando o aborto é legalizado num país. Não se trata de impedir mulheres de serem presas. Num país onde o aborto é legalizado, o aborto passa a ser parte da cultura. É comum amigas que literalmente perguntam: “Oh, você está grávida? E aí? Vai manter?” É comum médicos que literalmente pressionam mães a abortarem por casos de deficiência ou quadros como Síndrome de Down e doenças degenerativas. De fato, a Islândia virtualmente eliminou a Síndrome de Down, porque todas as mães matam seus filhos portadores da síndrome antes de nascerem. Na Alemanha, 9 em cada 10 bebês com Síndrome de Down são mortos. Como pode uma sociedade dizer que valoriza suas minorias, que quer dar chances e igualdade para todos, e permitir que os mais indefesos sejam mortos? 

 

Mito 11: “Devemos legalizar o aborto, porque há pessoas pró-vida que nunca adotaram”.

Fato 11: Será que devemos legalizar matar bebês ou crianças só porque nem toda pessoa que é contra infanticídio já adotou uma? 

Aliás, essa é uma equivalência extremamente falsa: equivaler uma posição moral, ética, às práticas de algumas pessoas que a representam.

Por exemplo: um serial killer protege os direitos dos cachorrinhos. Isso significa imediatamente que proteger o direito dos cachorrinhos é errado? Ou um filantropo que ajuda milhares de criancinhas esfomeadas na África secretamente tem uma coleção de vídeos pornográficos envolvendo crianças. Isso faz ajudar criancinhas errado ou será que faz a pornografia infantil ser certa? 

É claro que isso é absolutamente ilógico. Mas é a argumentação de muita gente.

Mesmo que o argumento fizesse algum sentido: existem milhares de pessoas pró-vida que adotaram crianças. A partir de que percentual estatístico aborto seria considerado moralmente errado? 

 

Mito 12: “Um feto só é humano quando sua mãe o deseja”. 

Fato 12:

Eu perdi meu bebê quando ele tinha 8 semanas. Com 7 semanas, eu o vi no ultrassom. Ele tinha perninhas e bracinhos, cabecinha e tronco e um coração que muito evidentemente batia (de fato, batia desde os 18 dias após a concepção). Muito diferente da imagem de “bando de células” que querem nos vender por aí. Quando o bebê morreu, eu e meu marido entramos num profundo processo de luto. Eu agradeci a Deus pelo tempo que pude carregá-lo. A morte confronta a todos, seja com 8 semanas ou 105 anos de idade, mas cada vida importa. 

Eu estava na mesa de cirurgia, quando uma médica pediu para que eu assinasse um termo autorizando o enterro do bebê. Ela disse: “Ridículo, não? Eles nos obrigam a enterrar tudo aquilo que poderia virar humano, embora nós saibamos que não passa de um bando de células.” 

Eu não consegui responder, porque estava tão chocada. Depois fui entender. Num país onde o aborto é legalizado é praticamente impossível para alguém se tornar ginecologista ou obstetra sem abortar várias vezes. Por lei, nenhum médico é obrigado. Mas, na prática, você não consegue fazer o estágio numa clínica ginecológica, obrigatório para a conclusão dos estudos, sem passar por isso centenas de vezes. Como conviver com o fato de que você mata seres humanos para sua própria conveniência? É o processo que todas as pessoas passam para justificar o injustificável em suas mentes: comportamentos absurdos, desde assassinato à corrupção. No filme 12 anos de escravidão é demonstrado como criancinhas brincavam ao lado de um escravo que estava sendo assassinado. Não há nada que a doutrinação não seja capaz de fazer. Até mesmo desumanizar brutalmente o que seria considerado naturalmente um ser humano.

Antes que alguém diga: “Ah, é diferente, porque você queria o bebê. A mulher que não quer deve ter a escolha.” 

Isso nos leva ao último mito.

Ser humano tem um botão de liga ou desliga de acordo com o sentimento dos outros?

Será que o que define o valor de um ser humano deveria realmente ser o ser desejado ou não? Ser amado ou não? Devemos matar pessoas não-amadas pela sociedade ou por seus pais? 

Não deveríamos defender seus direitos, mostrar-lhes que têm valor, dar chances e uma oportunidade de vida? 

 

MITO BÔNUS: “Duzentas mil / Cinquenta mil mulheres morrem por ano no Brasil vítimas de abortos clandestinos. Por isso, aborto é uma questão de saúde pública!”
Variante: “Quatro mulheres por dia / 1 a cada 2 dias / 1 em cada 3 mulheres morrem por complicações de aborto inseguro!” 

Segundo relatório da ONU (procure pelo relatório brasileiro de Convention on the Elimination of All Forms of Discrimination against Women), entre os anos de 2002 e 2004 houve uma média de 141 mortes, o que equivale a uma proporção de 0,0001% de mortes por aborto. 

Mas atenção! Comparando os dados oficiais do DataSUS, vemos que nessas 141 pessoas estão inclusos todos os tipos de aborto: gravidez ectópica, molar, aborto espontâneo, por razões médicas e legais etc. Ou seja, a média real de mortes por aborto provocado é de cerca de CINQUENTA E CINCO. (Isso mesmo, não é 55 mil, é 55 mesmo).
Atenção para a proporção: 55 mulheres para mais de 1 milhão de bebês mortos ilegalmente. Será que é mesmo a saúde da mulher a grande preocupação?

 

Não caia nas falácias espalhadas por aí. Reflita. Nos EUA, há uma luta para que os centros de aborto ao menos mostrem o ultrassom de um bebê antes da decisão final de matá-lo. A luta é para que as mães apenas vejam esses “bandos de célula”, que se movem, que têm vida, que tem dedinhos e um coração batendo, antes de tomar uma decisão definitiva que afetará o resto de suas vidas. Os grupos políticos pró-aborto estão lutando apaixonadamente contra isso.

O que os olhos não veem, de fato, é mais fácil de matar.

Espero que esses fatos tenham sido olhos para que você veja.

 

Ecografia de um “bando de células” com 12 semanas

 

Um conjunto de células com 7 semanas, falecido após aborto espontâneo :(

 

Mais um conjunto de células, bebê Noah, com 12 semanas recém-completadas :(

 

“Não é vida”.

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