2 de julho de 2012

O que nos mantém vivos

Ao voltar de trem para casa, neste domingo, passei por cenários indescritíveis.

Extensos campos dourados de cevada, montanhas, castelos e torres medievais, florestas densas, um pôr-de-sol laranja vivo, coelhinhos correndo pela campina e casinhas idílicas com telha e chaminé.

Incapaz de colocar em palavras toda a beleza que via, me remexia no assento questionando as minhas limitações artistícas para preservar o momento único.

Existem pessoas que sabem pintar. Outros, capturam a essência das coisas em fotografias. Outros conseguem descrever coisas de uma forma tão única que nos sentimos lá.

O resto de nós não tem onde esvaziar a beleza. Vamos nos enchendo, enchendo dela, como um balão de ar até o ponto de quase explodir. Ao menos, é como eu me senti. Estufada de admiração. Precisava extravasar, mas não existiam palavras dignas em meu vocabulário para tanto.

Inconformada, reclamava com Deus da injustiça de tudo isso. Por que alguns conseguem expressar o que precisam e outros não? Tanta beleza acumulada nos sentidos e trancada dentro de si dói demais. Será que é possível morrer de excesso de maravilhamento?

Aí veio a resposta Dele, como um toque no meu rosto de forma bem delicada.

Ah, então entendi. Foi por isso mesmo que Ele inventou a lágrima.