28 de agosto de 2009

Sara Teasdale, a poetisa deslumbrada

Sara Teasdale (1884-1933) escreveu alguns dos meus poemas favoritos de todos os tempos. É uma pena que só consegui encontrar poucos sites em língua portuguesa que a mencionassem, mas, por outro lado, entendo. Não dá para traduzir poemas sem perder grande parte da beleza deles.Enfim, adoro os poemas da Teasdale por vários motivos.

Um deles é que a temática da maior parte de seus poemas são temas que adoro: beleza, maravilhamento, alegrias, romances, beijos, amores devastadores, natureza, inocência…

A triste verdade, no entando, é ela era uma reclusa depressiva com problemas sérios de saúde que se casou sem amor, divorciou-se e acabou por se matar.

Mas dá para entender. Dizem que ninguém aprecia tanto a água quanto os que têm sede, entao talvez isso explique porque justo ela exalta tanto a felicidade, o amor, os prazeres e os deslumbres da vida. Porque foi privada de quase todos eles.

Claro, Sara Teasdale escrevia também sobre tristeza e morte, mas vejo uma certa tendência otimista em quase tudo que escreveu.

Um dos meus poemas favoritos dela chama-se Barter, uma exaltação da vida. Abaixo segue o poema no original e depois minha tradução. Espero que entendam inglês, porque a tradução amadora vai ficar terrível.

Life has loveliness to sell,
All beautiful and splendid things;
Blue waves whitened on a cliff,
Soaring fire that sways and sings,
And children’s faces looking up,
Holding wonder like a cup.

Life has loveliness to sell;
Music like a curve of gold,
Scent of pine trees in the rain,
Eyes that love you, arms that hold,
And, for the Spirit’s still delight,
Holy thoughts that star the night.

Give all you have for loveliness;
Buy it, and never count the cost!
For one white, singing hour of peace
Count many a year of strife well lost;
And for a breath of ecstasy,
Give all you have been, or could be.

A vida tem encantos a vender
Todos, coisas belas e esplêndidas;
Ondas azuis esbranquiçadas em um penhasco,
Fogo crescente que dança e canta
E rostos de crianças olhando para cima,
Segurando maravilha como um cálice.

A vida tem encantos a vender
Música como um arco de ouro
O aroma de pinheiros na chuva,
Olhos que te amam, braços que seguram,
E, para o prazer silencioso do Espírito,
Pensamentos santos que estrelam a noite.

Dá tudo que tens pelo encanto
Compra-o e nunca considera o custo!
Por uma hora melodiosa e branca de paz
Consideram muitos um ano de conflito bem gasto;
E por um fôlego de êxtase
Dá tudo o que tens sido e poderias ser.

  • Não sou a maior fã de poesia do mundo, mas até que gostei desse.

    E se tradução já é difícil, imagina de um poema! Mas você se saiu bem. ^^

  • Acho tao legal quem gosta de poemas, eu geralmente tenho preguica deles. x)
    Ainda bem que existem pessoas como vc e a Debby pra de vez em quando empurrar uns pra mim.

  • Brenda – A Dickinson era um caso mais grave no quesito “reclusa”. Ela sofria de agorafobia, nao saía de casa de jeito nenhum. A Sarinha ficou muito tempo sem sair de casa por problemas de saúde, ela era mais reclusa por nao ter escolha. De qualquer forma, as duas histórias sao tristes. Depois posto mais coisas da Teasdale, sao mto legais. Beijooo!

  • Que lindo! Amei o poema, Mima! Nunca tinha ouvido falar dela antes, mas a história dela me lembrou um pouquinho da Emily Dickinson.
    Obrigada pela dose de cultura!
    Beijinhos.