17 de janeiro de 2009

"The Matrix has you"


Eu realmente acho fantástica a nova geração de video-games. O Nintendo Wii, por exemplo, nos fornece toda a diversão de um dos clássicos, mas sem o espírito de culpa advinda do sedentarismo exacerbado. Depois de algumas rodadas de tênis virtual, o braco lesionado pelo repetitivo movimento é carregado orgulhosamente pelos usuários como uma marca de guerra. É possível esquiar sem o inconveniente do frio, jogar golfe sem as longas caminhadas, boliche sem risco de derrubar uma bola no pé. O mundo ideal:

Confesso que nunca questionei a subsituição de esportes verdadeiros ao ar livre por um artificial na sala de estar. Aliás, achei a idéia genial, já que, com Wii ou sem, eu nunca seria o tipo esportista. Meu grande questionamento em relação ao aprisionamento 2D veio a partir de um diferente atentado à liberdade.

O incômodo: Hoje mesmo, eu estava olhando uma lista de jogos no site da Nintendo. Um dos mais populares é Banco Imobiliário. Chame-me antiquada, mas eu sempre achei que jogos de tabuleiro deveriam ser jogados num tabuleiro, mas, enfim…

A gota d’água: Star Wars Legos para Wii. Whaaat the…?! Legos sem legos??? Legos SEM LEGOS?!

* “Leah, você é minha prisioneira…”
– “E daí?”
* “Leah, você é um
Lego…”
– “Você nao me mete medo, Darth Vader!”
* “Leah, você só existe dentro de um video-game..”

– “Nãããããão, nããããããããooo!!!”

Exagero? É claro que eu me questiono. Quem sabe nos primórdios do Windows 3.11, os puristas juravam a Microsoft de morte por Paciência, o primeiro jogo de cartas sem cartas. Ou Campo Minado, sem bombas! Talvez meus avós se abismaram com o Come-Come que ocuparia o espaco deixado pelos dinossauros na linha evolutiva dos carnívoros (fantasminhas são considerados carne?). Talvez eu esteja ficando velha, talvez não tenha mais a capacidade de aceitar a suave brisa da modernidade a bagunçar os papéis na minha mesa. Talvez, talvez, talvez…

Eu tenho um sonho. Eu sonho que um dia meus filhos vão comer proteínas e nao megabytes. Eu sonho em um dia não ter que explicar aos netos que “antigamente se jogava futebol com uma bola de verdade” e se usavam “os membros do corpo para se locomover”. Eu sonho que sou parte dos X-Men e combato o mal, mesmo embora o Wolverine e o Gambit me ameacem após xingar a Jean Grey (afinal, por que que colocam uma personagem tao chata na história?).

O Wii é certamente divertido. Mas, espero, que algum dia ele nos leve ao percurso contrário. Um dia, quereremos saber como é suar para fazer um Home Run. Um dia, nos perguntaremos se ar livre e sol não são, por acaso, também grande parte da diversão. Um dia, vamos fazer questão de uma longa caminhada para encontrar o campo perfeito, para aquela jogada perfeita, que os componentes lógicos do computador nao conseguiriam prever.

Ou não x)

Ok, acabou o momento Quaker.

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