24 de fevereiro de 2013

Você quer ser um escritor? (Trecho de livro)

Quando entrei nesse negócio, eu achava que escritores eram seres elevados. Afinal, como eles eram capazes de capturar em uma única frase toda a verdade emocional de uma vida inteira ou descrever uma cena que parecia mais viva que a própria vida? De que outra forma eles seriam capazes de arriscar suas vidas e sustento numa sequência de orações, expondo suas almas num mundo cada vez mais hostil para artistas e para a arte? Eu ficava admirada com escritores, mesmo com aqueles cujos trabalhos não eram perfeitamente executados. Eles tinham conseguido e, em algum lugar, livros existiam com seus nomes neles. Claro que não demorou muito para esse pedestal sucumbir.

Como editora, eu era tanto co-responsável quanto sujeita a cada aspecto da vida dos meus autores. E quanto mais eu trabalhava com escritores, mais eu me pegava pensando sobre as características que contribuíam para o sucesso ou fracasso de qualquer autor. Eu vi autores medíocres que eram brilhantes ao criar redes de relacionamento e autores fantásticos que não conseguiam prosseguir com suas páginas. Alguns pareciam abençoados com a confiança de direito próprio, outros amaldiçoados com inseguranças paralisadoras. Eu observei suas defesas e medos, suas esperanças e ambições.
(…)

imageAntes de entrar no mundo editorial, eu acreditava, como a maior parte das pessoas, que a vida de um escritor era algo para se invejar. Foi só quando comecei a trabalhar com escritores que entendi a avaliação brilhante de Truman Capote acerca do dilema do escritor: “Quando Deus te dá um dom, também te dá uma maldição”. A maior parte dos escritores é de uma espécie à parte, seus dons e maldições inextricavelmente conectados. E a psicologia do escritor, por natureza, é de uma dualidade extrema. O escritor trabalha isolado, no entanto, todo esse trabalho intensivo e solitário é com o propósito de comunicar, é uma tentativa de alcançar outra pessoa. Não é surpreendente, então, que muitos escritores sejam ambivalentes, isso se não forem totalmente neuróticos, em relação a levar seu trabalho adiante. Porque, ao fazer isso, um escritor deve enfrentar aquilo que ele mais teme: rejeição. Não há nenhum estágio do processo da escrita que não desafie todos os aspectos da personalidade de um escritor. O quão bem escritores lidam com esses desafios pode ser essencial para sua sobrevivência.

Betsy Lerner em The Forest for The Trees: An Editor’s Advice to Writers
[white_box]E o que me vem na cabeça ao ler isso? Sou totalmente neurótica! Será que isso significa que sou uma escritora de verdade?
me-gusta [/white_box]