30 de julho de 2009

Você tem que ler: Anne de Green Gables

Há muitos anos que insisto para que todas as pessoas que eu conheco leiam Anne of Green Gables. Além de ser a minha série de livros favoritos, eu estou bem convencida de que se todos assimilassem um pouco do espírito de Anne, nao haveriam mais guerras no mundo e todos seriam um pouquinho mais felizes. Entao, vejam bem, minha luta nao é só pelo bem do intelecto, mas pelo bem da humanidade em si.

A notícia que me deixou arrebatada de alegria é que Anne of Green Gables foi finaaaaalmente, após, literalmente, 100 anos, traduzida para o português!!! Nao se empolguem muito, até agora só sei da tradução do primeiro livro da série, mas já é o suficiente. Especialmente se todos os brasileiros em massa o comprarem, entao estou certa que o resto será traduzido rapidamente.

Nao seria maravilhoso Anne of Green Gables figurar no topo dos Bestsellers da Veja por alguns meses ao invés de livros sobre vampiros e guerras??? ANNE DE GREEN GABLES PELA PAZ MUNDIAL!!!

Recomendo também, a todos os que tiverem acesso, assistir ao filme, que é muito fofo e engracado. Até arrisquei fazer uma legenda amadora para o português (nada fácil, o filme tem três horas de duração e eu nenhuma experiência), mas ela só deve ser utilizada em caso de desespero mesmo.

Por favor, por favor, por favor, leiam Anne de Green Gables. Não se arrependerão.

A canadense Lucy Maud Montgomery escreveu Anne of Green Gables em 1908. A história se passa na Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá.
Tudo comeca quando o recatado casal de irmãos Matthew e Marilla decide adotar um menino para ajudar nas tarefas caseiras diárias, já que já eram velhos. Por um engano terrível (ou providência divina), o orfanato envia Anne Shirley, uma menina de 11 anos de idade muito inteligente, engraçada, imaginativa, dramática e, principalmente, extremamente tagarela.

Apesar de já ter sofrido muito na condição de orfã, a pior tragédia para a garota é ter nascido com cabelos ruivos e sardas. Sua outra infelicidade é que preferia ter um nome mais romântico (no sentido literário) do que Anne, mas se contenta com este contanto que seja pronunciado com e no final. (Detalhe: em inglês, nao faz a menor diferença na pronúncia se o nome Anne for escrito com e ou sem no final).

Enquanto decidem como se livrar da menina, o casal permite que ela fique na casa deles, Green Gables. Mesmo desolada por descobrir que não era querida, Anne aceita o tempo como uma oportunidade de desfrutar um pouco do lugar que logo à primeira vista lhe arrebatou o coração.

Além de ser uma história engraçada e cheia de momentos “awww!”, Anne de Green Gables é um prato cheio para quem gosta de incorporar frases e expressões ao vocabulário diário a partir de livros. Aliás, acho que peguei essa mania da Anne! Aqui vai um trecho (tradução minha):

“Você já soube de alguém cujo cabelo era ruivo quando jovem, mas que virou outra cor quando ela cresceu?”
“Não, creio que não,” disse Marilla impiedosamente, “e não acho que isso aconteceria no seu caso.”
Anne suspirou.
“Bem, mais uma esperança perdida. ‘Minha vida é um perfeito cemitério de esperanças enterradas.’ Essa é uma frase que li num livro uma vez e eu a repito para me reconfortar sempre que estou decepcionada com algo.”
“Eu não vejo como isso pode ser reconfortante,” disse Marilla.
“Oras, porque soa tão bonito e romântico, como se eu fosse a heroína de um livro, sabe? Eu gosto tanto de coisas românticas e um cemitério cheio de esperanças enterradas é o máximo de coisa romântica que se pode imaginar, não é? Eu estou até feliz de possuir um”.

 

Aqui vai mais um trechinho traduzido amadoramente por mim, da primeira manhã de Anne em Green Gables.

Anne lavou os pratos com aptidão suficiente, observou Marilla, que mantinha um olho atento ao processo. Mais tarde, ela arrumou a cama com um pouco menos habilidade, pois nunca havia aprendido a arte de domar um travesseiro de penas. Mas, a tarefa foi concluída de alguma forma e, então, Marilla, para se livrar dela, disse a ela que poderia sair e se divertir até a hora do jantar.
Anne voou para a porta, rosto iluminado, olhos brilhantes. Bem no batente ela parou de repente, girou, voltou e sentou-se à mesa, luz e brilho apagados como se alguém tivesse lançado um extintor nela.
“O que há de errado agora?”, exigiu Marilla.
“Eu não ouso sair,” disse Anne, no tom de um mártir abrindo mão de todas as felicidades terrenas. “Se não posso ficar, não há proveito em amar Green Gables. E, se eu sair e fizer amizade com todas essas árvores e flores e o pomar o riacho eu não vou poder evitar de amá-la. Já é difícil o suficiente, não o tornarei ainda mais difícil. Quero tanto sair: tudo parece estar me chamando, ‘Anne, Anne, venha para nós. Anne, Anne, queremos uma colega de brincadeiras’, mas, é melhor não. Não há proveito em amar coisas se você tem que ser arrancada delas, não é? E é tão difícil evitar de amar as coisas, não é? É por isso que eu estava tão feliz quando achei que ia morar aqui. Eu achei que teria tantas coisas para amar e nada para me impedir. Mas, esse breve sonho acabou. Eu estou resignada ao meu destino agora, entao não ache que eu vá, temendo que eu me desresigne novamente. Qual o nome daquele gerânio no parapeito, por favor?”
“É o gerânio com aroma de maçã.”
“Ah, eu não quero dizer esse tipo de nome. Eu quero dizer um nome que você mesma deu. Você não deu a ele um nome? Posso dar um nome, então? Posso chamá-lo de… deixe-me ver… Bonny serviria… posso chamá-lo de Bonny enquanto estou aqui? Oh, por favor!”
“Meu Deus, eu não me importo. Mas qual o sentido de nomear um gerânio?”
“Ah, eu gosto que as coisas tenham nomes, mesmo que elas sejam apenas gerânios. Faz com que elas parecam mais como pessoas. Como você sabe que não magoa os sentimentos do gerânio ser chamado só de gerânio e nada mais? Você não gostaria de ser chamada só de mulher o tempo todo. Sim, eu o chamarei de Bonny. Eu nomeei aquela cerejeira atrás da janela do meu quarto essa manhã. Eu a chamei de Rainha da Neve porque é tão branca. É claro, que ela nem sempre estará florida, mas dá para imaginar que ela está, não dá?”

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